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| AO VIVO | Patti Smith @ Coliseu Recreios, Lisboa

Nestes tempos de blogues, livejournals, myspaces, hifives e outros que tais, em que qualquer um de nós se sente com validade suficiente para emitir opiniões sobre os mais variados temas, diz-se muita coisa pela internet. E uma das coisas que li na net sobre Patti Smith foi que a senhora já estava velha e que os seus concertos já não são o que eram. E eu, pateta como sou, acreditei. Felizmente, que o concerto do passado dia 29 me fez ver com os meus próprios olhos como estava enganado.

Patti Smith é uma poetisa punk. Sabemo-lo não quando ela refere Fernando Pessoa, não quando ela grita palavras de ordem, mas sim quando ela cita Rimbaud e depois cospe para o chão. Isso sim, é punk! E Patti Smith é a madrinha do punk. E não precisa de roupa rasgada, penteados coloridos, ou outros artifícios superficiais.

Com um Coliseu praticamente cheio, Patti Smith (felizmente) não se limitou a percorrer o seu último disco, o (fraquinho) Twelve, álbum quase exclusivamente dedicado a versões (com um bocejante Smells Like Teen Spirits, mas com um vibrante Are You Experienced, com direito a Voodoo Child e tudo). Começou logo com Redondo Beach, tocou Because The Night, People Have Power, voltou para Gloria e, claro, terminou com Rock'n'Roll Nigger. Nessa altura, já as inesperadas cadeiras do Coliseu estavam há muito abandonadas, com o público a amontoar-se em frente ao palco, pulando ao ritmo da cadância de palavras de Patti Smith.

Já não estamos nos anos 70, no tempo da contra-cultura e da guerra do Vietname, mas mesmo assim ainda nos arrepiamos com as palavras de ordem da senhora Smith: this is the only weapon we need, grita apontando para a guitarra e referindo-se ao rock'n'roll. Não há o Vietname, mas há o Iraque e o Afeganistão, há os preços galopantes do petróleo e há a corrupção administrativa das grandes empresas. Talvez por isso somos levados a acreditar naquela activista hippie que passeia pelo palco e pelo meio do público, sem seguranças nem poses ensaidas, como naquele mítico concerto dos Doors.

É, sem dúvida, o concerto do(s últimos) ano(s). E só não foi perfeito porque Patti Smith se esqueceu da letra de Perfect Day, no momento em que a ia dedicar ao público português. Era talvez a isto que se referiam os tais opinion-makers, quando escreviam que a idade não perdoa.



Pedro Soares

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http://www.myspace.com/pattismith

Pixeltan: Punkotronics

Hisham Akira Bharoocha é imparável. Conhecido por ter fundado os Lightning Bolt, ter passado pelos Black Dice e actualmente a trabalhar no seu projecto a solo enquanto Soft Circle, este é o outro lado de Bharocha; mais electrónico, dançável e acessível. Os Pixeltan assinam actualmente pela editora DFA (conhecida pelos LCD Soundsystem, The Juan McLean e dos Black Dice) e infelizmente são poucas as ocasiões que a banda se apresenta ao vivo. Cruzando todas aquelas influências do "new york noise sound" que engloba o punk-rock até às novas linguagens electrónicas, os Pixeltan distinguem-se talvez pelo facto de tornarem o seu mais denso que a maioria das bandas que explora estes terrenos. A espaços podemos lembrar-nos de outros nomes como Les Georges Leningrad ou Liquid Liquid, ou seja, música de dança bizarra mas incrivelmente viciante e pronta a rebentar. Na discografia contam apenas com dois eps: o homónimo lançado há três anos e um split de sete polegadas com os JOY (também do catálogo DFA). Ao tudo indica em breve sairá novo material da banda lá para o próximo ano. Nós ficamos à espera...
Nuno Afonso
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Continuous >
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