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The Hives: em rotação



Não é difícil gostar dos The Hives. Ou melhor, não é difícil querer gostar dos The Hives. É que eles devem ser a banda com mais estilo que apareceu no rock'n'roll desde os Flaming Stars (dizem que os Mojomatics arrecadam este galardão, algo a confirmar no próximo Barreiro Rocks), citam todas as bandas que deviam citar (basta conferir este medley no maravilhoso mundo do youtube) e têm a atitude certa, descontraída e descomprometida, (como quando em plena cerimónia da MTV tiveram a lata de temrinar a explosiva actuação dizendo Sabemos que querem que toquemos mais, mas não nos deixam.), sempre liderados pelo carismático Howlin' Pelle Almqvist, uma espécie de young Mick Jagger. Contudo, musicalmente é que são elas; apesar dos riffs orelhudos, os álbuns dos The Hives regem-se pela máxima ouves uma, ouves todas. Atenção, isto não é um insulto, até porque gente como os Ramones ou os Oblivians fizeram uma carreira à conta disto; o problema é que falta ali mais qualquer coisa.

The Black And White Album é o novo álbum dos The Hives e que anda a rodar ultimamente no meu leitor de cds. E está diferente! A banda deixou-se das bolas de energia, curtas e directas, e procurou uma nova abordagem ao rock'n'roll. O resultado tem momentos bons e maus. Momentos bons como na faixa Well Allright!, linha de baixo viciante e coros la-la-la, ou Hey Little World, riffs certeiros a degladiarem-se com um cowbell. E momentos maus como You Got It All... Wrong, a pisar os terrenos do screamo com refrões melódicos cantados em uníssono, ou It Won't Be Long, com umas guitarras assustadoramente a lembrar os anos 80.

O problema deste novo disco não é os poucos momentos realmente bons. São os momentos maus demais. No entanto, continuará no meu leitor de cds por mais umas semanas. Porque não é fácil não gostar dos The Hives.


Pedro Soares

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Actuação na MTV
Medley

| AO VIVO | Mazgani na Capricho Setubalense

Normalmente, quando se fazem comparações elogiosas a artistas nacionais, devemos sempre ter em consideração uma ligeira margem de manobra. Por exemplo, se compararmos um realizador português ao Michael Mann, na verdade estamos a compará-lo ao Tony Scott.
Mas nem sempre é assim; felizmente, existem as excepções que confirmam a regra e é por isso que vos estou a alertar para as comparações que se seguem nas linhas seguintes, que devem ser tidas em conta. Por exemplo, quando comparar Mazgani a Leonard Cohen, é mesmo em Cohen que devem pensar. Aliás, se Leonard Cohen tivesse tido o azar de nascer umas décadas depois, ele é que seria comparado a Mazgani.

Sharyar Mazgani, metade português-metade iraniano, é o mais estimulante compositor/escritor de canções que o nosso país viu desde o JP Simões. E os Mazgani (a banda, que adopta o apelido do seu vocalista/guitarrista) deram-se a conhecer ao mundo em 2005, quando a Les Inrocks os considerou uma das 20 bandas mais promissoras do ano. O disco de estreia, intitulado Song Of The New Heart, chega-nos agora, dois anos depois, e foi apresnetado no sábado passado a amigos, familiares e simples curiosos na tal cidade onde (quase sempre) não se passa nada - Setúbal.

Chegamos então à parte das comparações; Mazgani soa a muitas e boas coisas. Faz lembrar o vozeirão de Leonard Cohen, mas com melhor dicção; faz lembrar os territórios pop-sónicos dos Radiohead; tem os momentos mais delicados de PJ Harvey; e tem a mesma alma passivo-agressiva de Nick Cave. Penso que Mazgani não levará a mal as comparações; até porque foi dele que ouvi a mais fantástica versão de Desperate Kingdom Of Love.

Como não conheço ainda o nome das músicas (caro Sharyar, se me estás a ler não hesites em oferecer um disco à Mescla Sonora para futuras considerações), não esperem um registo detalhado do alinhamento do concerto. Digo-vos apenas que a banda demonstra uma maturidade invejável, que não descansa à sombra da bananeira (leia-se à sombra dos elogios da Les Inrocks), uma vez que Unageing Games foi logo o segundo tema da noite (afinal sei o título de uma das músicas); que domina por completo o formato canção e que tem uma espécie de livre-trânsito no universo da perscrutação da alma dos ouvintes.

Ainda não escutei Song Of The New Heart, mas para mim é já um dos discos do ano.


Pedro Soares

Fotos: Sandra Conrado

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| DISCOS | Black Lips - Good Bad Not Evil


Black Lips: Good Bad Not Evil
(Vice, 2007)



Desde que os Strokes lançaram Is This It que se diz que o rock anda na moda. De facto, desde os anos 70 que não se falava tanto de rock'n'roll. Mas agora pergunto eu: desde que apareceram os Strokes, quantas bandas rock conseguimos distinguir de todas as outras? Assim de repente, penso que as respostas contam-se pelos dedos das mãos. Todas se vestem de igual, todas soam igual... E sim, os Arctic Monkeys também.
Por isso, ainda bem que existem os Black Lips, quatro miúdos norte-americanos que tocam rock'n'roll como antigamente. Os Black Lips não se vestem consoante a moda, não citam as bandas que deviam citar (aliás, todos eles são fãs de hip-hop; os dentes de ouro não são por acaso), nem tão-pouco aparecem nos sítios que deviam aparecer... Com eles, o rock ainda tem tudo a ver com ser livre e festivo (por isso, não há concerto que não termine em lago parecido com um motim); e com eles, o tríptico sexo, drogas e rock'n'roll (com ênfase na segunda e terceira parte da equação) continua a fazer sentido.

Ao terceiro disco de originais, os Black Lips abandonaram o lo-fi. Perdeu-se a visceridade, ganhou-se em musicalidade. Bad Good Not Evil é um tratado protátil de psicadelismo punk garageiro urgente e doentio, com a mesma proporção de irresponsabilidade e desleixo que a ingenuidade da idade comporta. Por isso, urge ouvir estes gaiatos antes que eles cresçam, ganhem maturidade e partam para outra.

Por isso, enquanto não chega o dia 10 de Novembro, o dia em que eles voltam ao nosso país para tocar no Barreiro Rocks, vamo-nos deleitando com Bad Good Not Evil, rock'n'roll à bruta, para ouvir e jogar-nos contra a parede.

Pedro Soares

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ao vivo no Conan O'Brien

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«Cold Hands»

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| DISCOS | Dan Deacon: Spiderman Of The Rings

Dan Deacon "Spiderman Of The Rings"
(Carpark Records, 2007)

Se bem que não seja algo inédito, nos últimos tempos têm surgido vários artistas a explorar um certo imaginário infantil, sendo que há bem pouco tempo tivémos porventura o melhor exemplo através do grandioso Feels dos Animal Collective. Este imaginário infantil sempre esteve de um modo ou outro associado a um estado de fascínio, pureza e doçura. Mas este mesmo imaginário transporta-nos também para um mundo algo psicadélico senão vejamos a maioria das histórias para crianças que envolvem animais falantes e outras personagens bizarras em que as cores surgem como algo essencial também para captar a atenção. Dan Deacon sabe disso e transporta para a sua música essa festa de cores, vozes distorcidas e melodias viciantes. Spiderman Of The Rings é em tudo um álbum de certo modo celebrativo dessa eterna infância. E caso dúvidas existam, basta escutar a faixa de abertura "Wooody Wooodpecker" para nos recordarmos de Wooody o tal pica-pau que tantas vezes nos acompanhou nas histórias ou desenho animados infantis. Ou ainda o proprio título do álbum, a fazer referência a um dos grandes heróis da banda desenhada.
Sonoramente Deacon recorre à música electrónica mais bizarra mas não necessariamente experimentalista e sempre a um sentido pop. A espaços, lembramo-nos de uns M83, Y.A.C.H.T ou de Caribou. No entanto talvez nenhum destes nomes atinja o tal mosaico de cores como Deacon tão bem consegue.

É de facto um disco aconchegante, capaz de nos estampar um valente sorriso na cara e ouvi-lo repetidas vezes. E porque não, sermos putos novamente e fazermos uma série de brincadeiras estupidamente divertidas? Sem medos nem receios que o Verão já aí está e ninguém leva a mal.

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