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| Sob Escuta | Deltahead


Com o advento da internet, a consolidação do globalismo e a massificação da informação, por vezes damos connsoco a pensar que já vimos tudo e que já nada nos pode surpreender. É nestas alturas que deus-nosso-senhor nos manda um aviso e faz-nos ver o quanto estamos errados. Foi numa dessas alturas, em que pensava eu que já nada me surpreendia na música, quando qual epifania divina, me foi dado a conhecer num capricho do destino, o álbum de estreia dos suecos Deltahead.

Formalmente, os Deltahead são um duo composto por David Tallroth e Benjamin Quigley; ambos tocam bombo, um toca guitarra (slide, predominantemente), o outro toca contrabaixo e os dois cantam através de uma maquineta caseira carinhosamente apelidada de ASET (Analogue Sound Expanding Trunk), uma espécie de caixa de madeira com três grafonolas lá dentro.

Musicalmente, os Deltahead são um power-duo garageiro, com raízes assentes nos grandes mestres do blues, especialmente dos do delta do Mississipi, que depois transformam em garage-punk viciante e escorreito: um riff certeiro, uma linha de contrabaixo em cheio no meio dos dentes e um refrão repetido até à exaustão, por entre testosterona e suor aos rodos.

Neste momento, dava o meu rim direito para os ver em Portugal num futuro (bem) próximo.

Pedro Soares


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http://www.myspace.com/deltahead

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My Mama Was Too Lazy To Prey

The Hives: em rotação



Não é difícil gostar dos The Hives. Ou melhor, não é difícil querer gostar dos The Hives. É que eles devem ser a banda com mais estilo que apareceu no rock'n'roll desde os Flaming Stars (dizem que os Mojomatics arrecadam este galardão, algo a confirmar no próximo Barreiro Rocks), citam todas as bandas que deviam citar (basta conferir este medley no maravilhoso mundo do youtube) e têm a atitude certa, descontraída e descomprometida, (como quando em plena cerimónia da MTV tiveram a lata de temrinar a explosiva actuação dizendo Sabemos que querem que toquemos mais, mas não nos deixam.), sempre liderados pelo carismático Howlin' Pelle Almqvist, uma espécie de young Mick Jagger. Contudo, musicalmente é que são elas; apesar dos riffs orelhudos, os álbuns dos The Hives regem-se pela máxima ouves uma, ouves todas. Atenção, isto não é um insulto, até porque gente como os Ramones ou os Oblivians fizeram uma carreira à conta disto; o problema é que falta ali mais qualquer coisa.

The Black And White Album é o novo álbum dos The Hives e que anda a rodar ultimamente no meu leitor de cds. E está diferente! A banda deixou-se das bolas de energia, curtas e directas, e procurou uma nova abordagem ao rock'n'roll. O resultado tem momentos bons e maus. Momentos bons como na faixa Well Allright!, linha de baixo viciante e coros la-la-la, ou Hey Little World, riffs certeiros a degladiarem-se com um cowbell. E momentos maus como You Got It All... Wrong, a pisar os terrenos do screamo com refrões melódicos cantados em uníssono, ou It Won't Be Long, com umas guitarras assustadoramente a lembrar os anos 80.

O problema deste novo disco não é os poucos momentos realmente bons. São os momentos maus demais. No entanto, continuará no meu leitor de cds por mais umas semanas. Porque não é fácil não gostar dos The Hives.


Pedro Soares

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Actuação na MTV
Medley

| DISCOS | Black Lips - Good Bad Not Evil


Black Lips: Good Bad Not Evil
(Vice, 2007)



Desde que os Strokes lançaram Is This It que se diz que o rock anda na moda. De facto, desde os anos 70 que não se falava tanto de rock'n'roll. Mas agora pergunto eu: desde que apareceram os Strokes, quantas bandas rock conseguimos distinguir de todas as outras? Assim de repente, penso que as respostas contam-se pelos dedos das mãos. Todas se vestem de igual, todas soam igual... E sim, os Arctic Monkeys também.
Por isso, ainda bem que existem os Black Lips, quatro miúdos norte-americanos que tocam rock'n'roll como antigamente. Os Black Lips não se vestem consoante a moda, não citam as bandas que deviam citar (aliás, todos eles são fãs de hip-hop; os dentes de ouro não são por acaso), nem tão-pouco aparecem nos sítios que deviam aparecer... Com eles, o rock ainda tem tudo a ver com ser livre e festivo (por isso, não há concerto que não termine em lago parecido com um motim); e com eles, o tríptico sexo, drogas e rock'n'roll (com ênfase na segunda e terceira parte da equação) continua a fazer sentido.

Ao terceiro disco de originais, os Black Lips abandonaram o lo-fi. Perdeu-se a visceridade, ganhou-se em musicalidade. Bad Good Not Evil é um tratado protátil de psicadelismo punk garageiro urgente e doentio, com a mesma proporção de irresponsabilidade e desleixo que a ingenuidade da idade comporta. Por isso, urge ouvir estes gaiatos antes que eles cresçam, ganhem maturidade e partam para outra.

Por isso, enquanto não chega o dia 10 de Novembro, o dia em que eles voltam ao nosso país para tocar no Barreiro Rocks, vamo-nos deleitando com Bad Good Not Evil, rock'n'roll à bruta, para ouvir e jogar-nos contra a parede.

Pedro Soares

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ao vivo no Conan O'Brien

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«Cold Hands»

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| Perdidos em Combate | Coachwhips


Mais um novo espaço na Mescla Sonora: Perdidos em Combate, onde recuperamos bandas/artistas que pura e simplesmente desapareceram de cena ou cessaram actividade mas que deixam saudades.
Apesar de largamente desconhecidos neste lado de cá do Atlântico, os Coachwhips foram e continuam a ser um quase mito no underground norte-americano. Um brutal power-trio de S. Francisco com John Dwyer nos comandos [verdadeiro activista sónico e também membro dos The Hospitals, Pink and Brown, Yikes, The Ohsees and outros] e que ficaram conhecidos pelas suas actuações explosivas em palco.
Garage-noise-rock numa equação algures entre The Cramps Vs Lightning Bolt, os Coachwhips transpiravam rock n´roll por todos os poros. Temas curtos com pouco mais de dois ou três minutos mas suficientes para causar estragos com muito estilo. Simples e directa mas não básica e banal, a sua música alcança algo mais que a maioria das bandas garage-rock em que a ligação de Dwyer à cena noise-punk também poderá ser um factor importante. Bangers Vs Fuckers será talvez o álbum-chave, um total de onze temas em dezoito minutos de duração, repletos de muito suor, festa, calor humano e sexo e quem não gosta disso também não irá gostar de Coachwhips. Uma visceral visão de um rock hedonista e celebrativo.
Há quanto tempo não ouviam algo assim?

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